Caderno argolado A4 - Coleção Transcender

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12 cuotas de €2,13

A coleção transcender é uma inspiração na resistência e vida de Lili Elbe, Xica Manicongo e Miss Major.

Caderno argolado

  • Capa dura 
  • 21x30 cm
  • Papel especial 90 g
  • 200 páginas
  • Furação universal, podendo comprar o refil em qualquer papelaria. Vendemos refil de todos os formatos.
  • Encadernação com argola articulada que permite repor ou reposicionar as folhas.
  • Acabamento com elástico
  • Capas laminadas para que tenha mais durabilidade e seja possível limpar com pano úmido.
  • A folha de 90g é mais encorpada e permite o uso de caneta nanquim e canetinha

  • O pôster com as representações e conteúdo informativo é enviado de brinde nas compras da coleção.*

     

    OBS: O caderno do vídeo é o A4, o A5 é metade do tamanho.

     

Lili Elbe

Lili Ilse Elvenes, mais conhecida como LiLi Elbe, foi a musa dos quadros da artista Gerda Wegener. Nasceu em 28 de dezembro de 1882 em Vejle, na Dinamarca. Foi umas das primeiras mulheres transgêneros a fazer a cirurgia de redesignação sexual. E uma pintora de sucesso antes de sua transformação. 
No caminho percorrido a partir de 1882 até 1930, data em que segundo registros foi sua primeira cirurgia, Elbe se transformou e foi renascendo lentamente. Observa-se, em vários textos sobre Lili, que os primeiros movimentos aconteceram enquanto ela se tornava musa da sua, então esposa, Gerda Wergener, uma artista plástica cujas obras questionavam as construções de gênero.  Lili precisou modelar para a esposa, já que sua modelo havia faltado, e ao que nos é possível entender, ela foi se encontrando nessa identidade de forma que não havia mais possibilidade de ser outra pessoa. 
O olhar desprendido de Gerda dos moldes da sociedade foi um importante auxilio a Elbe, um ponto seguro. Viver em Paris também foi importante para que as duas vivessem essas transformações. Assim pôde ir abandonando cada aspecto do sexo que lhe foi atribuído ao nascer, abandonando até mesmo a pintura, que era sua profissão neste tempo. 
Alguns de seus procedimentos cirúrgicos foram experimentais. A primeira foi a remoção dos testículos em Berlim, no ano de 1930. A segunda foi a implementação do ovário. Na terceira removeu o pênis e o escroto. Cirurgias estas realizadas na cidade de Desdran. Depois de ter seu casamento anulado conseguiu mudar sua documentação registrando seu nome como Lili Ilse Elvenes.  Mudou-se para Desdran, adotou o sobrenome Elbe, em homenagem ao rio que flui pela cidade, e começou um relacionamento com Claude Lejeune, com quem queria ter filhos.
Seus registros na Clínica Feminina Municipal de Dresden, onde foram feitas suas cirurgias, se perderam. A clínica foi bombardeada pelos nazistas em maio de 1933. O que se sabe é que foi lá que Lili transplantou o útero e fez uma vaginoplastia em 1931, ela foi a segunda mulher trans a passar por essa cirurgia. Mas seu sistema imunológico rejeitou o útero implantado e ela precisou de outra cirurgia, o que gerou uma infecção, levando-a a uma parada cardíaca e à morte em 13 de setembro de 1931.
Pensar Lili Elbe é pensar a transexualidade em camadas que a sociedade, ainda hoje, teima em não assimilar.  

 

Miss Major

A revolta de Stonewall é um marco na história de luta e resistência da comunidade LGBTQIA+. Na noite de 28 de junho de 1969 a polícia, em uma ação violenta, invade Stonewall Inn, um bar precário, porém, um dos poucos lugares que a comunidade LGBTQIA+ podia circular e ser atendida normalmente em Nova York. E embora fosse comum a invasão da polícia no bar, sempre de maneira truculenta, nesse dia a resposta foi diferente: 
“Nada foi planejado. Estávamos cansadas de sermos espancadas. Nós, pessoas trans, negras e latinas. Todas esgotadas e enfrentamos a polícia. Lembro que decidimos que não toleraríamos e ao fim acabou durando seis dias.”
Esta fala é de Miss Major Griffin-Gracy, nascida em 24 de outubro de 1940, em Chicago/ Illinois/EUA. Ela, apesar de excluída em algumas narrativas sobre este dia, esteve presente neste momento marcante da história. É que quando se conta sobre o 28 de junho, deixam de lado as mulheres trans negras que ali estiveram, cuspindo na cara dos policiais, como fez major. 
Miss Major, como é comumente chamada, viveu, ou melhor, sobreviveu a uma época em que a lei de sodomia atacava a comunidade LGBTQIA+, muites foram impedides de terem a guarda de seus filhos, de serem contratades em empregos. Miss Major já precisou recorrer a prostituição para sobreviver.
Por algum tempo foi considerada uma Drag queen, já que a expressão transexual foi cunhada como uma alternativa só em 1965, embora as corpas já estivessem presentes, vivas e pulsantes no mundo.  Major, inclusive chegou a viver a fluidez dos gêneros, sem tomar pra si alguma classificação, colocava seu terno e gravata com uma camisa que evidenciava seus seios ou cabelos soltos com a barba por fazer.  
Embora a voz de Miss Major deva receber sua devida escuta na luta de Stonewal, é mais tarde que o ativismo ganha espaço em sua vida. Em seu tempo na prisão, quando foi presa por roubo, conheceu Frank Smith, a convivência abriu seus olhos para importância de proteger, segundo ela afirma, “minhas garotas”. Daí em diante passa a ajudar pessoas trans encarceradas a se reestabelecerem.  Tornando-se uma ativista e líder comunitária pelos direitos dos transgêneros, com foco particular em mulheres negras.  Major é mãe de cinco filhos, o primeiro nascido em 1978 e o quinto em 2021. Em entrevista à revisa Marie Claire afirma:
“Gostaria de ver um mundo em que as pessoas trans são aceitas por seus talentos e não porque são toleráveis”.

 

Xica Manicongo

Xica Manicongo tem sua origem atrelada ao país Congo/África e chega ao Brasil como escravizada. Aqui foi registrada pelos colonizadores como Francisco. É vendida a um sapateiro na cidade onde hoje chamamos de Salvador, na Bahia do século XVI. Com isso trabalhou com o mesmo oficio, ficando conhecida nas ruas da cidade baixa pela sua altivez e por ser namoradeira. Embora sua história, como muitas, tenha sido atacada levando, por muito tempo, ao seu apagamento, ao que tudo indica ela foi a primeira mulher trans do Brasil. Ou, pelo menos, a primeira julgada legalmente pelo fato de sua existência.
Seus registros de vida são atravessados pela história da inquisição no Brasil. Sua história passa a ser resgatada através da pesquisa de Luiz Mott sobre a perseguição aos sodomitas (sodomia – pratica de sexo anal). Xica foi enquadrada nesse crime que, por um tempo, chegou a ser um crime de lesa majestade. Os condenados eram queimados vivos.
Luiz Mott, ao pesquisar documentos oficiais em Lisboa/Portugal, identifica que Xica Manicongo andava com um pano amarrado com um nó pra frente, semelhante a um quimbanda (termo bantu para definir “invertido” ou “curador”). Sobre seu nome, Manicongo era uma denominação que os governantes no reino do Congo recebiam, por isso fica a indagação: será que Xica era rainha?
Mesmo não sabendo seu nome antes do colonizador e como era sua vida no Congo, no Brasil Xica teve sua vida cercada pela ideia de que era anormal diante das pessoas cisgênero. Aqui sofria uma grande pressão social por ser, além de mulher trans, preta e escravizada. Com a visita da inquisição, Xica foi denunciada à igreja. Embora tivesse resistido por muito tempo em viver conforme sua existência, sua possível condenação à fogueira pelo crime de sodomia a fez largar suas roupas e se vestir como os homens se vestiam à época.
Por séculos foi vista como homossexual. Seu nome social foi atribuído postumamente, já que seus registros em documentos oficiais vinham com o nome de Francisco. É Marjorie Marchi, militante transsexual negra que presidia a ASTRA-Rio (Associação de Travestis e Transexuais do Rio de Janeiro), quem passa a chama-la pelo nome social, Francisca. A ASTRA-Rio criou também um troféu chamado Xica Manicongo.
E, apesar das inúmeras tentativas de apagamento da história de Xica, seu nome resistiu e conseguiu ser um sinônimo de resistência, luta e inspiração para muitas transexuais no Brasil.

“Hoje somos seguidoras de Xica
E fazemos a cada esquina nossa labuta Não à toa usamos o cordel
Em memória ao nordeste e à sai luta De tantas Severinas, Marias, Joanas
Somos a voz da Xica que no Brasil se perpetua!”
(LUSTOSA, 2017, p. 4)

 

Pesquisa e texto: Fabiana Brasil

Arte:  Maria Rosa

 

* O pôster será enviado de brinde e acompanha as compras que levam os produtos da coleção transcender. Será enviado um pôster por compra e não por produto. Ele não está a venda.

• Prazo para envio: 3 dias úteis (contados a partir do pagamento confirmado) incluso no prazo dos correios

 Referências: https://www.justicadesaia.com.br/conheca-miss-major-simbolo-da-rebeliao-de-stonewall/ | https://www.papodecinema.com.br/filmes/majorhttps://revistamarieclaire.globo.com/Mulheres-do-Mundo/noticia/2021/06/conheca-miss-major-simbolo-da-rebeliao-de-stonewall.html | https://averdade.org.br/2022/01/xica-manicongo-a-primeira-travesti-do-brasil-foi-negra/ | https://averdade.org.br/2022/01/xica-manicongo-a-primeira-travesti-do-brasil-foi-negra/ | https://buzzfeed.com.br/post/voce-conhece-a-historia-de-xica-manicongo | https://revistacontinente.com.br/edicoes/185/gerda-wegener--feminino-a-toda-prova | https://stringfixer.com/pt/Lili_Elbe | https://revistahibrida.com.br/historia-queer/a-verdadeira-garota-dinamarquesa-conheca-a-historia-de-lili-elbe/ | https://brasil.elpais.com/brasil/2016/01/02/estilo/1451748884_931165.html

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